Preciso confessar que não sou muito ligado nessa coisa de datas especiais. A meu ver não precisamos de datas comemorativas para a crianç...

Donas da porra toda


Preciso confessar que não sou muito ligado nessa coisa de datas especiais. A meu ver não precisamos de datas comemorativas para a criança, para o pai, para a mãe, para a mulher, porque, como dizem, todo dia é o dia deles. Mas, rendendo-me às atuais discussões, resolvi fazer este post sobre o dia da mulher e falar das minhas personagens tão maravilhosas.
Bem, uma vez me disseram que minhas personagens femininas, em Crônicas de Onyx, eram mais fortes que as masculinas. Certo que no começo, quando construí minhas guerreiras, não pensava conscientemente no quanto elas seriam “fodonas”, o que me deixou até um pouco surpreso na época e feliz, muito feliz, confesso.
Foto do blog Porque eu não quero!
Ainda vivemos em uma sociedade machista, mesmo que as coisas estejam mais “lights” atualmente (ainda insuficiente), e ter, ao menos na literatura, personagens femininas que sejam as “donas da porra toda” é o mínimo do mínimo que, como escritor, eu possa fazer para homenagear e representar as mulheres de alguma forma. E, por mais que eu escreva ficção fantástica em suma, há muitas formas de fazer analogias entre as mulheres do livro com as da realidade e digo isso em relação a todos os livros que já li em que as mulheres tomam conta da história de forma magistral (né, dona Josy?)
Em Crônicas de Onyx, por exemplo, no primeiro livro conhecemos duas moças que não têm um grandioso desenvolvimento para a narrativa, mas que lentamente vão ganhando espaço na série. São elas: Luany MacAran e Marinny Bellaire, uma simples camponesa e uma Guardiã Imperial sobrinha de uma Imperatriz. Cada uma vive de uma forma, possui seus medos, suas angústias, mas lutam por aqueles que acreditam, de formas diferentes, mas se esforçam repetidamente. A Guardiã, muito além disso, tem um segredo que, ao ser revelado, mostra o quão forte ela precisou ser nas últimas décadas para suportar sua situação.
No segundo, conhecemos Blair Crystan, princesa imperial e herdeira do trono. No começo, ela não é uma princesa comum, que quer casar, ter filhos e herdar o trono de Diamante, pelo contrário: ela quer ser livre. E, por mais que a vida lhe apresente difíceis decisões ao longo da história, Blair vai sempre buscar o que deseja, sendo capaz de enfrentar todos os reinos de seu país se for preciso.
No livro três, somos apresentados a Kalyta, uma sacerdotisa de Netuno, deixada em um palácio místico no meio de uma ilha abandonada pelos próprios pais há mais de trezentos anos; e também à antagonista, a deusa Nyx, uma mulher que segue ordens, verdade, porque é seu trabalho, mas que não se abstém de lutar em prol daquilo que crê.
No último livro, nossas mulheres precisam tomar importantes decisões que poderão mudar a forma em que vivem. Blair, como uma mãe que põe ordem na casa, precisa desempenhar seu papel como herdeira do trono ao mesmo tempo em que precisa lutar contra o ceticismo dos homens da Corte. Marinny, além de decidir qual caminho seguir, tem como tarefa expurgar os demônios que invadem seu mundo em uma simples analogia: os demônios são os percalços e provações que toda mulher precisa enfrentar diariamente, seja em casa, no trabalho ou na rua.
É verdade que o homem é forte e socialmente visto como viril, mas a mulher é muito mais que isso; mulher é camponesa, senhora, profetisa, princesa, rainha, imperatriz, deusa. Mulher é a dona da vida.
Feliz dia das mulheres!

Abraço,
Elton Moraes

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