ELTON MORAES

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Olá, pessoal!
Como o ano já está se esvaindo e não terei mais lançamentos para vocês neste ano, vou fazer aqui uma breve retrospectiva do que lancei na Amazon, como um refresco para a mente.


Começamos lá em março, mais especificamente dia 29, o mesmo do meu aniversário. Endrich Ragrson e companhia voltam no tão esperado desfecho da série Crônicas de Onyx: A Relíquia da Vida. Aqui, após os acontecimentos dos livros anteriores, tudo será respondido e amarrado, mas, antes, será preciso enfrentar os Gigantes de Gelo, que assolam a fronteira entre as Terras Desconhecidas e o Império de Rubi; e, principalmente, descobrir qual o papel do terráqueo David, perdido em Onyx.
Em uma aventura recheada de ação, magia e escolhas que definirão o futuro de todo um mundo, o quarto e último livro nos leva a uma viagem além do imaginário.
Nos leva para o princípio do próprio Universo.



Por volta de julho, tivemos a republicação de O Último de Nós, originalmente lançado em 2013, agora com nova edição, revisão e capa. Junto de O Primeiro de Mim, a continuação do primeiro conto, formam a duologia A Terra de Clon, que tem como premissa uma Terra desolada povoada por somente um homem, o qual passa a questionar os motivos de ser o último sobrevivente e parte em busca de respostas, o que trará muitas consequências.



Por último, mas eu acredito que seja um dos mais importantes, Maxon Carter e os Artefatos de Merlin, o livro que eu passei mais tempo trabalhando, cultivando ideias, amadurecendo-as e mexendo no enredo. Um livro que surgiu lá em 2011 (sim, já faz CINCO ANOS!) e que, somente agora, me senti pronto para lançá-lo.
A história roda em volta de Maxon Carter Williams Júnior (mas deus me livre se chamá-lo só de Júnior) e das mudanças que começa a sofrer assim que pisa na cidade em que passará a viver com a mãe, mais especificamente, Sombrio (onde cresci e moro atualmente, inclusive). Aqui, o garoto descobrirá que vem de uma linhagem antiga de mágicos (Endrich mandou lembranças) e que ele próprio é um feiticeiro. Não bastasse isso, está em perigo iminente e precisa aprender a usar seus poderes o quanto antes para sobreviver.
É quase um Percy Jackson, só que sem prazos, sem profecias e sem o Juízo Final — por enquanto.

Bem, gente, até acho que esse ano foi bem produtivo, e espero que o próximo continue assim — inclusive, já tenho dois projetos para colocar em prática!

Se não conhecia ainda, dê uma conferida nas páginas dos livros logo acima, tem sinopse, capas em alta resolução, informações extras, playlists, e não deixe de adquirir na Amazon! ;)

Forte abraço!
Elton Moraes
Dizem por aí que os personagens (principalmente protagonistas) sempre possuem alguma coisa do autor. Claramente, eu não poderia negar tal coisa, afinal, Endrich Ragrson, de Crônicas de Onyx, tem um pouco de mim em seu lado sonhador, chatinho em ficar por fora dos assuntos relacionados a ele (sim, sou desses), acolhedor e companheiro, quase sempre presente para os amigos – da mesma forma que Maxon Carter tem a pior parte de mim. Diferente de hoje, quando o personagem surgiu em minha mente lá por volta de 2011, ele transpira tudo que havia em mim: a inocência, o carinho para com o próximo, as incertezas da adolescência e de ter que crescer mais rápido do que esperado; eu em processo de amadurecimento, ele em ter que escolher uma vida imortal defendendo seu mundo ou simplesmente morrer.
Bem simples assim.
Mas o tempo passa, a gente cresce, de criança para adolescente e deste para adulto. Tudo muito rápido, tudo muitas vezes sem explicação. Onde está meu Manual de Como Ser Adulto? E junto desse crescimento, amadurecemos, ideias se fixam, outras esquecemos, sonhos se tornam projetos, projetos se tornam realidade, nossa mentalidade se aprimora e, consequentemente, às vezes perdemos parte de nossa inocência e até do que somos. Isso que estou tendo é uma crise existencial? Muitas vezes me questionei isso, procurando meu lugar no mundo, o que eu estava fazendo aqui, para onde deveria seguir. Será que sou tão importante para alguma coisa ou a vida é simplesmente um amontoado de eventos sem nexo?
Eu não acredito mais que sejamos eventos aleatórios sem um fio condutor. O mundo não está aí simplesmente por estar. E David, um dos protagonistas de A Relíquia da Vida, também acredita, passa a acreditar em seu destino, mesmo que esteja perdido em um mundo desconhecido, um lugar que sequer imaginou existir. Sendo o Escolhido de Vita, ele precisa fazer uma escolha que pode mudar o rumo dos eventos em Onyx, e, hoje, vejo essa situação dele como uma metáfora ao que eu mesmo estava passando. Não é fácil quando você está naquela fase da juventude em que você não sabe por onde caminhar. Eu realmente estou no mundo certo? Na família certa? Afinal, às vezes me sentia tão estranho (e ainda me sinto) perto dos meus parentes, que algo sempre pareceu errado.
Mas o certo e o errado não são definições exatas.
A questão é que se David estava perdido em Onyx, eu estava perdido na Terra. E talvez escrever sobre outro mundo no qual a fantasia, magia, cavaleiros, arqueiros e toda a sorte de seres míticos e místicos são possíveis sem grande estranhamento, se deva ao fato de eu querer fugir da sociedade na qual seria taxado de “anormal”. E como se isso não fosse suficiente, há uma passagem no livro que nosso viajante se pega questionando sobre quem é, quais os seus desejos e o que significa se sentir atraído por uma garota ou um garoto. Todos os questionamentos que, sem perceber, eu mesmo estava me fazendo. Eu havia chegado em uma bifurcação, uma encruzilhada, e não sabia por onde seguir e se aquilo realmente seria certo.
Assim como David, eu me indaguei, pesei prós e contras, busquei apoio e força em amigos – como todo adolescente precisa em momentos de crises e dramas, como toda pessoa precisa em momentos conturbados. E assim como David, eu escolhi. Eu escolhi ser feliz, ele escolheu o que achou certo para o mundo. Nós nos colocamos em posições que poderiam (e podem) nos matar e, também, nos trazer alegrias – e quem sabe esse seja o motivo pelo qual, a meu ver, David seja o personagem que mais tem de mim. Nós escolhemos e, mesmo que ainda estejamos por vezes perdidos nos mundos, isso não nos impedirá de seguir em frente.

Nesse feat maravilhoso, quem ganha é o leitor!
Por quê? Porque você pode baixar TRÊS LIVROS DE GRAÇA!
Quem viu minha postagem da semana passada, tá sabendo que no aniversário do autor, você é o ganhador! Os eBooks de Crônicas de Onyx ainda estão com 64% de desconto, mas a novidade do dia são os três livros que você poderá baixar sem pagar um centavo! Confira abaixo quais sãos os participantes e os links para download.



Clique nos nomes para ser redirecionado à página da Amazon.

A Ilha Elementar: Uma história dos Soldados Elementares

Fênix: A morte não é o fim de tudo

Entre Escolhas e Consequências


E obviamente não poderíamos de deixar de mencionar que hoje é (meu aniversário) o lançamento de A Relíquia da Vida, quarto volume da série Crônicas de Onyx! Se você ainda não conhece a sinopse, confira logo abaixo seguida do link para download (com 50% de desconto) na Amazon:


"Para tudo existe uma segunda chance"
Endrich não se sente feliz. Uma pessoa especial está morta e ele pensa na maior loucura de sua vida: buscá-la no Reino dos Mortos. Mas a aproximação da batalha contra os Gigantes de Gelo no Império de Rubi, a chegada de um viajante misterioso e o peso de seu casamento tornam seus planos obsoletos.
Perdido entre o que deve ou não fazer, David tentará encontrar as respostas que almeja em toda a sua vida. Para isso, irá se aventurar com os Guardiões Imperiais e buscará por uma antiga relíquia capaz de mudar a rota de seu caminho.

O mal se instalou em meio aos protetores de Onyx e todos deverão tomar decisões importantes. Os segredos do Universo estão cada vez mais claros e o elo entre o Guardião e o Escolhido, mais evidente. Uma profecia se revelará e o embate final entre Luz e Trevas indicará o destino de todos.

Adquira AQUI.

Boa leitura!
Elton Moraes

Olá, pessoal! Dia 29 de março é o dia em que vou completar meus lindos vinte anos e também quando ocorrerá o lançamento de ARelíquia da Vida. Mas se você pensa que é só isso que temos então se enganou, porque a promoção de aniversário começa hoje!
De 25 (vulgo hoje) a 29 de março todos os eBooks da série Crônicas de Onyx (exceto ARdV) estarão por R$1,99 cada na Amazon! É isso mesmo, Elton? Sim! Então se joga nesse novo mundo e se aventure, faça sua escolha, enfrente uma lenda e lute contra a morte!


Clique no título para ir à página da Amazon:

O Guardião Imperial (Crônicas de Onyx, vol. 1)
A Espada Elemental (Crônicas de Onyx, vol. 2)
O Cavaleiro da Morte (Crônicas de Onyx, vol. 3)

E não pense que acabou, porque está vindo mais coisa para vocês celebrarem este dia comigo. Aguardem!

Até lá,

Elton Moraes

Olá, pessoal! Hoje estou trazendo algumas curiosidades sobre A Relíquia da Vida, meu próximo lançamento na Amazon. Confira a baixo:

1.      ARdV é continuação de O Cavaleiro da Morte
2.      E quarto volume da série Crônicas de Onyx
3.      Se passa sete dias após os acontecimentos do terceiro livro
4.      Tem 40 capítulos, um prólogo e um epílogo
5.      A primeira versão ficou pronta em maio de 2013
6.      Minhas previsões na época diziam que eu publicaria em 2016
7.      Acertei
8.      Endrich Ragrson ainda continua como principal protagonista
9.      Mas Marinny Bellaire rouba um pouco a cena
10.  Ah, e Blair Crystan também
11.  E mais uma penca de personagens que têm ponto de vista ou ideais revolucionários
12.  O universo da série se expande para além do próprio universo
13.  E isso é culpa do David
14.  Há uma discreta ligação com o livro Fênix
15.  E isso é culpa de outra personagem
16.  Conhecemos um pouco mais do gélido Império de Rubi
17.  Alguns personagens não tão importantes morrem
18.  E alguns importantes também
19.  O livro ficará com mais de 300 páginas em formato de livro
20.  O lançamento será no dia do aniversário do autor: 29 de março

Não se esqueçam que A Relíquia da Vida já está em pré-venda com 50% de desconto e pode ser encontrado AQUI.

Até a próxima!

Elton Moraes

Preciso confessar que não sou muito ligado nessa coisa de datas especiais. A meu ver não precisamos de datas comemorativas para a criança, para o pai, para a mãe, para a mulher, porque, como dizem, todo dia é o dia deles. Mas, rendendo-me às atuais discussões, resolvi fazer este post sobre o dia da mulher e falar das minhas personagens tão maravilhosas.
Bem, uma vez me disseram que minhas personagens femininas, em Crônicas de Onyx, eram mais fortes que as masculinas. Certo que no começo, quando construí minhas guerreiras, não pensava conscientemente no quanto elas seriam “fodonas”, o que me deixou até um pouco surpreso na época — e feliz, muito feliz, confesso.
Foto do blog Porque eu não quero!
Ainda vivemos em uma sociedade machista, mesmo que as coisas estejam mais “lights” atualmente (ainda insuficiente), e ter, ao menos na literatura, personagens femininas que sejam as “donas da porra toda” é o mínimo do mínimo que, como escritor, eu possa fazer para homenagear e representar as mulheres de alguma forma. E, por mais que eu escreva ficção fantástica em suma, há muitas formas de fazer analogias entre as mulheres do livro com as da realidade — e digo isso em relação a todos os livros que já li em que as mulheres tomam conta da história de forma magistral (né, dona Josy?)
Em Crônicas de Onyx, por exemplo, no primeiro livro conhecemos duas moças que não têm um grandioso desenvolvimento para a narrativa, mas que lentamente vão ganhando espaço na série. São elas: Luany MacAran e Marinny Bellaire, uma simples camponesa e uma Guardiã Imperial sobrinha de uma Imperatriz. Cada uma vive de uma forma, possui seus medos, suas angústias, mas lutam por aqueles que acreditam, de formas diferentes, mas se esforçam repetidamente. A Guardiã, muito além disso, tem um segredo que, ao ser revelado, mostra o quão forte ela precisou ser nas últimas décadas para suportar sua situação.
No segundo, conhecemos Blair Crystan, princesa imperial e herdeira do trono. No começo, ela não é uma princesa comum, que quer casar, ter filhos e herdar o trono de Diamante, pelo contrário: ela quer ser livre. E, por mais que a vida lhe apresente difíceis decisões ao longo da história, Blair vai sempre buscar o que deseja, sendo capaz de enfrentar todos os reinos de seu país se for preciso.
No livro três, somos apresentados a Kalyta, uma sacerdotisa de Netuno, deixada em um palácio místico no meio de uma ilha abandonada pelos próprios pais há mais de trezentos anos; e também à antagonista, a deusa Nyx, uma mulher que segue ordens, verdade, porque é seu trabalho, mas que não se abstém de lutar em prol daquilo que crê.
No último livro, nossas mulheres precisam tomar importantes decisões que poderão mudar a forma em que vivem. Blair, como uma mãe que põe ordem na casa, precisa desempenhar seu papel como herdeira do trono ao mesmo tempo em que precisa lutar contra o ceticismo dos homens da Corte. Marinny, além de decidir qual caminho seguir, tem como tarefa expurgar os demônios que invadem seu mundo — em uma simples analogia: os demônios são os percalços e provações que toda mulher precisa enfrentar diariamente, seja em casa, no trabalho ou na rua.
É verdade que o homem é forte e socialmente visto como viril, mas a mulher é muito mais que isso; mulher é camponesa, senhora, profetisa, princesa, rainha, imperatriz, deusa. Mulher é a dona da vida.
Feliz dia das mulheres!

Abraço,
Elton Moraes
Primeiramente gostaria de começar este post me desculpando pela falta de atualização no blog, principalmente antes e depois da virada de 2015 para 2016. Ano passado mesmo que muito do que aconteceu não tenha sido o melhor da vida, muita coisa me surpreendeu e me alegrou, por exemplo, viajar, lançar livro novo e começar a namorar (sim, isso mesmo) — como diz o ditado: “há males que vem pra bem”.
Depois de muitas promessas a là George R. R. Martin, o ano passou e não consegui lançar o quarto livro da série Crônicas de Onyx, mas, após um bom tempo sem conseguir escrever por causa de bloqueio criativo eis que venho lhes informar que finalmente A Relíquia da Vida já está em pré-venda na Amazon!
Soltando fogos de artifício.
Então se você está ansioso ou ansiosa para a conclusão da saga de Endrich, Raffy, Marinny entre outros personagens importantes, já pode reservar seu eBook com 50% de desconto antes do lançamento!
Caso ainda não conheça, confira a capa e a sinopse:


“Para tudo existe uma segunda chance”
Endrich não se sente feliz. Uma pessoa especial está morta e ele pensa na maior loucura de sua vida: buscá-la no Reino dos Mortos. Mas a aproximação da batalha contra os Gigantes de Gelo no Império de Rubi, a chegada de um viajante misterioso e o peso de seu casamento tornam seus planos obsoletos.
Perdido entre o que deve ou não fazer, David tentará encontrar as respostas que almeja em toda a sua vida. Para isso, irá se aventurar com os Guardiões Imperiais e buscará por uma antiga relíquia capaz de mudar a rota de seu caminho.
O mal se instalou em meio aos protetores de Onyx e todos deverão tomar decisões importantes. Os segredos do Universo estão cada vez mais claros e o elo entre o Guardião e o Escolhido, mais evidente. Uma profecia se revelará e o embate final entre Luz e Trevas indicará o destino de todos.

CLIQUE AQUI PARACOMPRAR A RELÍQUIA DA VIDA.

Um forte abraço ao todos!
Elton Moraes

Alguns foram apresentados em O Guardião Imperial, uma, em A Espada Elemental, o outro, no final de O Cavaleiro da Morte. Todos com sua devida importância na série, cada um construído de uma forma, com um perfil, originados de diferentes lugares e tempos. E agora, todos estarão reunidos de vez em A Relíquia da Vida. Quer saber mais sobre os personagens que guiarão esta história? Então venha conosco para Onyx!


Endrich Ragrson: Guardião Imperial de Diamante e noivo de Blair Crystan, ele seguirá para o Império de Rubi em apoio contra os Gigantes de Gelo. Porém, com a chegada de um estranho, seus planos vão muito além disso: trazer à vida alguém que morreu recentemente. Entretanto, estará disposto a driblar as regras da vida e da morte, independentes das consequências?

Blair Crystan: herdeira do trono do Império de Diamante, ela se encontra em uma situação delicada ao perceber que o destino de seu país está em suas mãos. Perdida em sua encruzilhada pessoal, a princesa deverá tomar importantes decisões se ainda quiser manter as terras governadas por seu pai, unidas.


Raffy Di Akren: Guardião Imperial de Cristal, terá seu destino finalmente selado. Entre suas obrigações como um dos protetores de Onyx e uma promessa antiga, ele descobrirá o que fazer para ajudar a definir o futuro de sua terra.


Marinny Bellaire: Guardiã Imperial de Jade, terá seu segredo enfim desvendado em meio à batalha contra os Gigantes de Gelo. Determinada a pôr um ponto-final na situação que tanto a estraçalha, buscará saber os motivos que levaram Raffy a interferir na ordem e, consequentemente, a envolvendo no meio.

David Grace: viajante de outro mundo, o jovem se encontra com Endrich e o segue na viajem para Rubi. Durante os dias em alto-mar, descobrirá que pode ser mais importante para os planos para o Guardião de Diamante, do que achou inicialmente. Incerto com tais questões, verá que seu elo com o arqueiro é mais poderoso do que imaginava, e terá de tomar importantes decisões se quiser retornar para sua antiga vida.



Imagem por FreePik.
Quem me acompanha nos últimos anos (tem alguém aí?), já me viu passar por várias fases. Comecei esse blog de autor em 2011, mais porque “todo escritor deve ter o seu cantinho”. Era mais ou menos isso que tinha em mente. Antes desse, já surgiram outros dois que acabaram no limbo. O Stock Mídia e o Correio Jovem. O primeiro era um blog sobre tudo, qualquer coisa que estivesse relacionado a mídias e afins. O segundo foi o blog do jornalzinho que eu fazia no ensino médio, em 2010 (vide aqui).
O fato é que muitas coisas aconteceram nos últimos cinco anos. Em 2010 comecei a escrever meu primeiro livro — e eu achando que seria fácil. Isso foi em dezembro e não saiu mais do que os dois primeiros capítulos. No ano seguinte o concluí e dele surgiram mais duas continuações, dando vida à Trilogia Mutantes (não, não é Caminhos do Coração). Foi daí que surgiu a ideia para Crônicas de Onyx e, deste, para Maxon Carter. Muitas ideias, pouco tempo.
Engavetei a primeira história que escrevi e parti para Onyx, que chega ao fim este ano! Maxon Carter deu o ar de sua graça entre 2011 e 2012, mas resolvi engavetá-lo também. Ele não está pronto para ir ao mundo com todo seu esplendor. Ainda é um sonho que deve ser muito bem estruturado.
Agora você deve estar se perguntando: “Tá, e daí?”.
Com o tempo passando, a gente cresce, tanto em tamanho como em seres-humanos, nossos sonhos mudam e nossas vontades se refazem. Não seremos sempre os mesmos durante a vida toda. Assim como livros, somos escritos, reescritos, lapidados, consertados, buscando a perfeição. Mas nunca vamos alcançá-la. Nossos sonhos também podem não serem perfeitos, mas é o que nos instiga a ir em frente, é o que podemos somar aos nossos ideais. Juntos, eles nos guiam por essas vias esburacadas da vida.
Depois de muitas fases e mudanças que passei, descobri o que eu quero ser para a vida toda. No começo achei que por no papel tudo o que estava em minha mente era só uma forma de me livrar de tantas ideias e pensamentos. Às vezes ainda tenho vontade de gritar “alguém tira esses personagens da minha cabeça!”. Porém, não é só isso; percebi ao longo do tempo que há muito mais por trás disso. Descobri que eu tinha sim algo a dizer para as pessoas, além de entretê-las, claro! Não sou bom em me expressar verbalmente, nunca fui, mas foi na escrita que me encontrei, foi aqui que achei a forma de dizer o que eu tinha medo de dizer em alto e bom som. E é com ajuda desses serezinhos que vivem em minha mente, que externo meus mais variados pensamentos. Aqui é que percebo: não, eu não quero perder meus personagens, podem todos povoar meu cérebro.
Mas o que está por trás dos meus sonhos?
Muito trabalho, muitas ideias a serem lapidadas, muitos mundos e vidas a serem criados. Ainda há muito o que ser transformado e a me transformar. Afinal, eu sempre aprendo alguma nova lição com meus filhotes e sei que isso me faz bem. Acho que é a forma que encontrei de me conhecer melhor e de também levar algo novo ou uma releitura aos leitores, além de entretenimento.
Talvez eu tenha fugido um pouco do tema principal proposto aqui, mas o fato é que por trás daquilo que produzimos, do que sonhamos, sempre haverá algum empecilho. Descontentamento com o mercado, um branco repentino, uma ideia que não é suficiente para superar outras, depressão… Enfim, por trás de nossos sonhos deve haver esforço. Não falo isso apenas como escritor. Se quisermos alcançar o que queremos, devemos colocar a armadura, tirar a espada da bainha e, se precisar, lutar por essa vontade. O que não podemos é desistir.
É o que eu tento fazer.
É o que você pode fazer.

Até a próxima!
Elton Moraes
Olá, pessoal! Tudo bem? Eu sei que ando desaparecido por aqui nos últimos meses (e desta vez não prometerei que vou ser mais presente, porque né). Enfim, estou passando hoje para deixá-los a par do que veio no fim do ano de 2014 e o que prometo para 2015.

Quem está me seguindo no Facebook e no Twitter, sabe que lancei recentemente, em dezembro, o terceiro volume da série Crônicas de Onyx, chamado O Cavaleiro da Morte, que traz mais ação, fantasia e romance para este universo.
Confira a capa, sinopse e links:

"Em algum momento a morte deverá ser enfrentada".
Endrich quer saber a verdade. Para isso, ele viaja até o Reino de Cronos, onde as coisas são… diferentes. Ele tem a esperança de encontrar algo sobre seu pai e ainda responder o porquê os anjos não conseguem “enxergar” este reino.
Ao mesmo tempo em que ele segue viagem, as trevas aparecem no Povoado Crystan. Nestor Krísllan é possuído e um cavaleiro negro aparece para levar a morte e a desolação aos moradores. Contudo, nem tudo está perdido. Escondido em uma ilha há um livro capaz de dar as respostas certas para derrotá-lo. 
Porém, em meio ao caos que se forma, o Guardião de Diamante verá que o destino está apenas começando a brincar enquanto a batalha pela conquista está cada vez mais próxima.
Links: AMAZON |  SKOOB | WATTPAD | FACEBOOK


E o que virá em 2015? Mais livros, com certeza!
Começando com Fênix - A morte não é o fim de tudo, um romance fantástico recheado de momentos sexys. Este é um trabalho que levou mais de um ano para ficar pronto, mas que me orgulho bastante. Você não podem deixar de conhecer Laura, Tony, Selene e Duda!

Laura, Tony, Selene e Duda são amigos de anos e, para selar esta amizade, concordam em fazer algo que a simbolize: a tatuagem de uma fênix e um pacto de sangue.
Entretanto, coisas estranhas acontecem e um deles desaparece. Forças ocultas tentarão impedi-los de avançar. Porém há uma saída: devem seguir a luz e encontrar um mago para definir seus destinos.
 
Para isso, enfrentarão o passado banhado em mistérios e surpresas, o amor embebido em dor e de forma sexy, e a amizade cercada pelas dúvidas e divergências.
Serão eles capazes de suportar?

Fênix chega à Amazon dia 23 de março em formato digital (kindle) e em paperback (impresso sem orelhas).
Links: FACEBOOK | SKOOB


E para os onyxianos de plantão, o desfecho da série Crônicas de Onyx também dará suas caras neste ano! A Relíquia da Vida, quarto livro, encerrará a saga de Endrich Ragrson e dos outros Guardiões Imperiais. Em breve teremos mais novidades!


 "Para tudo existe uma segunda chance".
Endrich não se sente feliz. Uma pessoa especial está morta e ele pensa na maior loucura de sua vida: buscá-la no Reino dos Mortos. Mas a aproximação da batalha contra os Gigantes de Gelo no Império de Rubi, a chegada de um viajante misterioso e o peso de seu casamento tornam seus planos obsoletos. 
Perdido entre o que deve ou não fazer, David tentará encontrar as respostas que almeja em toda a sua vida. Para isso, irá se aventurar com os Guardiões Imperiais e buscará por uma antiga relíquia capaz de mudar a rota de seu caminho. 
O mal se instalou em meio aos protetores de Onyx e todos deverão tomar decisões importantes. Os segredos do Universo estão cada vez mais claros e o elo entre o Guardião e o Escolhido, mais evidente. Uma profecia se revelará e o embate final entre Luz e Trevas indicará o destino de todos.

Link: SKOOB | WATTPAD

As capas finais de Fênix e de A Relíquia da Vida serão divulgadas em breve!
Espero que tenham curtido as novidades.
Comentem, façam um escritor feliz (hehe).

Abraço,
Elton Moraes

Oi, povo! Quem nunca teve algum momento de ansiedade, medo ou angústia? É bem provável que todo mundo tenha tido alguma vez, mas esses são sentimentos que somos capazes de enfrentar ou até evitar.
            Mas o que isso tem a ver com o post de hoje? Tudo, afinal, nosso querido protagonista Endrich Ragrson enfrenta muitos medos e angústias ao longo da série Crônicas de Onyx. No primeiro livro, O Guardião Imperial, por exemplo, ele descobre que é de uma linhagem de Guardiões e precisa tomar uma decisão. Em meio a isso ele passa por um processo de autoconhecimento do qual terá receio de si mesmo e das escolhas que deve fazer. Em suma, ele tem medo de sofrer.
            E quem não tem que atire a primeira pedra.
            Em A Espada Elemental, vimos um Endrich um pouco mais maduro, porém, que ainda teme algumas coisas. Fantasmas, o casamento de uma pessoa especial, a possibilidade de uma nova guerra e o medo de não concluir uma missão para lá de importante. Responsabilidade, essa é a palavra-chave deste livro. Quando temos um pesado cargo sobre os ombros, podemos, por vezes, nos intimidar. Principalmente quando você pensa que não terá força suficiente para finalizar uma missão ou que suas escolhas até então foram erradas.
           Pensamentos negativos têm o poder de nos derrubar — fato! Digo isso por experiência própria. Sou campeão em baixo astral e baixa estima. Entretanto, vejo que se eu não trabalhar isso, não poderei seguir em frente, enfrentar meus medos e receios, lutar por aquilo que acredito, pelo que desejo. E é isso que Endrich busca ao longo da série: enfrentar seu lado negro, uma parte intrínseca de todos nós, para realizar suas tarefas no mundo que o rodeia e, principalmente, salvá-lo do que está por vir.
Olá, pessoas! Eu sei, estou há muito tempo sem postar, sorry! But… hoje trouxe um pouco mais do meu mundo para vocês.
            Como alguns devem saber, Onyx surgiu em 2011, por volta de agosto e setembro. Quando ele se criou em minha mente (porque foi tipo puff!), não imaginava que se tornaria uma grande casa para mim, onde tudo que eu desejasse poderia se acontecer. Pois bem, e como todo novo mundo, precisa de uma criação, na qual veremos em A Ilha Elementar – Uma história dos Soldados Elementares, que será publicado dia 24 de outubro na Amazon do Brasil. E assim como C.S. Lewis (não me comparo a ele, nem de longe!), baseei-me em Gênesis. Porém, claro, transformei as coisas do meu jeito, dando o meu olhar sobre novas terras.
            Antes que me perguntem, não, Crônicas de Onyx não é uma série religiosa, entretanto, inspirei-me em alguns contos bíblicos para aproximar nossos mundos, da mesma forma que usei temas gregos e deuses romanos para entrelaçar e dar um brilho especial.
            Na questão religiosa, abordo principalmente sobre o pecado e a batalha do bem contra o mal, Luz contra Trevas, desde o início dos tempos. Não de forma profunda e autoritária (na questão pecado), mas como forma de dar uma pitada de algo mais à história. Não julgo aqui o que é certo e o que é errado, cada um tem seu ponto de vista sobre o assunto. Porém, alguns dos meus personagens fizeram escolhas erradas e veem como um pecado, buscando pela absolvição.
            Mas enfim… Gostaria de deixar claro que não tenho religião e de longe acredito em muita coisa do que se prega, todavia, não entremos em detalhes. Acredito que haja uma força no Universo que nos ligue, e é essa visão que procuro mostrar nos livros que compõem não apenas esta série, como poderá ser vista em outros livros da minha autoria.

Forte abraço!
Elton Moraes
Olá, pessoal.
Volto aqui, como prometi no post anterior, trazendo o capítulo um do livro de ficção fantástica O Guardião Imperial, primeiro volume da série Crônicas de Onyx. Bem, espero que curtam, e comentem!


Um
O Mensageiro

500 anos depois

Endrich Ragrson estava a meio dia do portão de entrada do Povoado Imperial Crystan – uma grande vila de camponeses em volta do grandioso castelo do Império de Diamante. O Mensageiro Imperial estava voltando do Reino de Ágata – um dos vários reinos ao norte daquele domínio.
         Caminhava tranquilamente, enquanto seu cabelo loiro-acastanhado esvoaçava ao vento brando. Era início de outono, o sol ainda demorava um pouco a se pôr. Seus olhos verde-acinzentados ainda brilhavam a luz da grande Estrela de Fogo. Endrich era um rapaz simples, sem muita coisa na vida – aos dezessete anos já havia perdido a mãe e o pai.
            Sua mãe havia morrido quando ele nasceu, por isso, não sabia muito a seu respeito. E seu pai, Ondrich, havia sido assassinado há quatro anos, quando era um Mensageiro Imperial. Estava voltando para o castelo, assim como Endrich agora, mas no meio do caminho fora abordado por contrabandistas que queriam de qualquer forma levar a bolsa que carregava nas costas. Nesta havia um grande pedaço de aço-escarlate – material leve e valioso usado na fabricação de armas e escudos, principalmente nas lâminas de flechas. Porém, Ondrich lutou para não entregá-la, e, por fim, desnecessariamente foi esfaqueado até a morte. Levaram a bolsa contendo o metal. Não se sabe o que aconteceu com a encomenda.
            Nos últimos quatro anos, Endrich se dedicou muito às práticas do arco e flecha. Quando começou, tinha a ideia de fazer aquilo não porque gostava, mas sim para tentar esquecer a tragédia que acontecera a seu pai. Algo que se acomodara com o tempo – mesmo assim alguns sonhos com ele ainda lhe atormentavam as noites. Contudo, o tempo passou e ele se tornou um ótimo aluno e interessado cada vez mais pela atividade. Era um dos melhores arqueiros de todo o império.
            Além dele, havia somente mais um especialista em arco e flecha no Povoado Crystan e em todo o Império de Diamante: Helder Stuarck, seu professor.
            Enquanto seguia tranquilamente, Endrich percebera que a prática havia se tornado sua vida. Toda vez que ele tivesse de fazer alguma viagem para o Imperador Asriel Crystan, fazia questão de levar seu arco e flechas, para o caso de algum ataque. Principalmente pelo o que haviam acontecido a seu pai. A proteção é o melhor ataque – ponderava.
            Suspirou, secando o suor da testa. Apesar de não fazer calor, a caminhada intensa o fazia transpirar. Sinto-me um porco no abate.
            Desde a morte de seu pai, Endrich fora morar com o senhor e senhora MacAran, pais de Luany, sua melhor amiga – ajudando periodicamente a colocar comida na mesa. Ele e Luany haviam sido criados juntos desde muito novos; ficar longe dela por mais pouco que fosse o deixava inquieto. Quando pequenos, iam para as colinas além do castelo, e lá ficavam brincando com outras crianças e comendo muito larên – uma fruta típica do verão. Uma de suas melhores memórias era a deles sentados na colina fitando o tapete verde que se estendia a sua frente, onde flores e árvores cresciam deliberadamente.
            Seu estômago roncou com as lembranças de casa. Percebeu que agora estava mais próximo do portão de entrada. Todavia, surpreendeu-se ao ter que fazer uma pausa forçada.
            Subitamente um homem surgiu a sua frente, pulando de algum esconderijo entre as árvores da Floresta Xamã. O caminho por onde seguia era uma estrada que passava por meio da floresta fechada, sendo um ótimo ponto para os contrabandistas atacarem.
            Endrich se assustou quando o homem apareceu do nada, mas não mostrou nenhum tipo de reação a isso. Deve ser mais um daqueles ladrões descarados – pensou ele, bufando. Endrich não parava de fitar o homem. Provavelmente queria roubar-lhe a bolsa que carregava na lateral direita do corpo.
            –– Tudo bem? – disse Endrich tentando ser amistoso, o que não era fácil ante a possibilidade de ser roubado. Percebeu que uma de suas pernas tremia.
            O homem pareceu hesitar.
            – Opa! Estou sim – respondeu finalmente. Olhando sério para Endrich, o homem falou: – Oh, garoto, agora chega de enrolação e me passa a bolsa, o arco e a aljava que está presa a sua cintura. Agora!
            Endrich sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele se lembrou da história de seu pai, mas não hesitou.
            – Passar o quê? – perguntou ele. De repente, ele ouviu um barulho quase imperceptível na mata, devia ter mais alguém com o homem. – Eu não lhe entregarei nada!
            – Ah, mas vai. – O homem deu um passo à frente, indicando que atacaria a qualquer momento. Ele tinha a altura do Mensageiro e cabelos longos e emaranhados, parecendo mais um ninho de ratos.
            – Se eu fosse você – avisou Endrich –, eu não faria isso.
            Subitamente, o homem sacou uma adaga, antes presa no cinto da calça. O cabo de madeira era entalhado com o desenho de uma sereia – o símbolo dos contrabandistas. A arma foi sacada com a mão esquerda. Ótimo, ele é canhoto. Vai me dar uma boa posição – pensou Endrich.
            Rapidamente, o homem o ataca tentando passar a adaga em seu pescoço – e como a arma possuía dois gumes, tornava-se mais fácil disso acontecer. Mas Endrich era rápido, por isso conseguiu desviar de todos os ataques, antes de se mover, rapidamente, para a direita do contrabandista. Estando atrás dele, o Mensageiro puxou seu braço esquerdo para trás, e num movimento rápido, derrubou o homem ao mesmo tempo em que o desarmava. E, jogando todo o seu peso em cima do contrabandista, manteve-o com o rosto no chão, enquanto gritava de dor e pedia por piedade – ou chamava por ajuda.
            Endrich estava certo ao pensar que havia mais alguém na mata, pois, veloz como um gato, um homem surge da Floresta Xamã – tão feio quanto o primeiro: cabelos longos e esgadelhados, maltrapilho e de barba por fazer. Quando esse se aproximou correndo, também empunhando uma adaga, Endrich saltou de cima do bandido que prendia e, com um chute, fez o que estava prestes a lhe atacar ser lançado contra uma árvore, com força suficiente para derrubar um cavalo.
            Seus olhos se arregalaram ao perceber a força que empunhara.
            O primeiro contrabandista tentou se levantar, mas foi impedido a tempo por Endrich, que o empurrou de volta para o chão com o pé em suas costas. Ele não gostava de agir de tal maneira, mas só de imaginar que um homem como aquele fizera uma atrocidade com seu pai no passado, a raiva já subia para sua cabeça. Estava incrivelmente surpreso com si mesmo.
            Endrich se certificou de que o segundo contrabandista ainda estava caído perto da árvore e, abaixando a cabeça perto do rosto do primeiro homem, falou em alto e bom som:
            – Nunca mais, nunca mais, tente me atacar. Está me ouvindo?
            – Sim… – murmurou o homem.
            – Caso contrário, não serei tão bom quanto hoje.
            O contrabandista o olhou esbugalhado. Estava visivelmente apavorado. Não tanto pela ameaça, pois já que é um homem de contrabando, vive sendo ameaçado. Mas sim, imaginava Endrich, pela incrível força que ele demonstrara.
            Endrich retirou o pé de cima do homem, tendo o cuidado para que não contra-atacasse. Deu mais uma olhada no segundo homem, a quem abatera tão rapidamente, e voltou o olhar para o primeiro:
            – Cuide de seu amigo. Ele irá precisar – falou, enquanto ajeitava sua capa verde-escura.
            O homem assentiu em silêncio.
            Endrich endireitou a aljava que vinha presa à cintura, pendendo para o lado esquerdo. Fitou os homens mais uma vez. O criminoso que o atacara primeiramente se arrastava até o segundo. Sabia que precisava fazer alguma coisa para detê-los. Talvez uma flecha em seus peitos resolvesse. Entretanto sabia que isso não seria suficiente, os seus pecados não se apagariam da história. Precisava deixa-los a mercê do próprio destino.
            Com esse pensamento súbito, chacoalhou a cabeça e retomou seu caminho para o castelo imperial.
––––
Antes mesmo do anoitecer, Endrich chegou ao portão de entrada do lado oeste. Ele foi recebido pelas sentinelas que guardavam e cuidavam da movimentação de pessoas no alto da Grande Muralha – uma construção em pedra que cercava todo o Povoado Imperial juntamente do castelo. Endrich fez um rápido cumprimento e entrou assim que os portões foram abertos.
            O povoado estava movimentado para um fim de tarde. Mas isso se devia ao fato de ser a época de colher as melhores frutas e de estar acontecendo o Festival do Outono, onde danças e peças teatrais seguiam um cronograma de apresentações na arena da capital. Por isso o comércio e os bares ficavam lotados até tarde da noite.
            Enquanto seguia pela rua principal de acesso ao castelo, foi cumprimentado por inúmeras pessoas. Era bem conhecido no povoado, afinal, todos conheciam o grande arqueiro Endrich. Mas quando achou que poderia terminar o percurso em paz, sem que mais ninguém lhe dirigisse a palavra, foi surpreendido por sua amiga.
            – Luany? Você me assustou! O que está fazendo a essa hora na rua?
            – Desculpe-me. Fui comprar algumas frutas para mamãe – sorri abertamente, fazendo-o acompanhá-la. – Então como fora a viagem? – indagou. – Muitos problemas?
            Luany tinha cabelos loiro-escuros, tão sedosos que brilhavam divinamente a luz das luas Cahim e Nahim; seus verdes olhos cintilavam ao sol.
            – Foi tranquila. Exceto por alguns contrabandistas que encontrei. Só dois, que me atacaram pouco antes de eu chegar – respondeu Endrich, dando de ombros.
       – Mas você está bem?
            – Estou, estou. Não foi nada, só queriam meu arco, a aljava e minha bolsa. Eles deviam saber que eu possuo algo de valor, de alguma forma.
            – E tem algo tão valioso assim? – inquiriu ela.
            – Deixe de ser curiosa, Luany – riu.
            – Ai – resmungou a garota. – Está bem. Se estiver tudo bem, ótimo.
            Endrich gostava da companhia de Luany, fazia-lhe bem. Mas tinha que seguir seu caminho até o castelo imperial. Ainda devia entregar o comunicado que carregava antes de a lua Cahim atingir seu esplendor esverdeado.
            – Bem, tenho que ir – disse Endrich, por hora. – Meu trabalho ainda não findou.
         – Ah… Tudo bem. Então até logo! – respondeu Luany, afastando-se, um meio sorriso moldando seus lábios.
            – Até logo.
         Despedindo-se, Endrich seguiu por entre o comércio movimentado. Todavia, antes de prosseguir até ao castelo, resolveu passar na tenda do Sr. Krísllan, onde comprou um larên, sua favorita.
       – Muitas cartas para entregar? – perguntou Natan Krísllan, filho do dono da tenda, entregando-lhe a fruta.
    – Ah, só o de sempre. – Endrich entregou uma moeda de prata a Natan. E, fazendo um cumprimento rápido de despedida, Endrich pegou seu larên – avermelhado, com sementes grandes e brancas – e saiu.
            Depois de uma breve caminhada, chega à ponte que atravessa o rio Coronal – uma corrente de água que seguia desde o norte e desaguava no mar, ao sul. Atravessando-a, chega à entrada do castelo. O palácio era uma imensa construção de pedra sobre um terreno plano, protegido principalmente pela muralha as suas costas. Alguns detalhes da construção eram cravejados por diamantes, dando-lhe um ar de beleza rústica.
            Quando o imenso portal se abriu, revelou-se um rapaz, que não devia ser mais velho que Endrich. Nestor, um dos filhos do Sr. Krísllan o aguardava. Ele havia se tornado secretário do imperador Crystan com ajuda de Endrich, que o convencera a aceitá-lo. Nestor não era muito alto, e seus cabelos negros e escorridos lhe davam um ar jovial.
            O secretário recepcionou Endrich, apertando-lhe a mão e dando tapinhas em suas costas. Perguntou-lhe como fora a viagem de ida e volta do Reino de Ágata, enquanto o encaminhava até a Sala do Imperador, onde Asriel Crystan passava a maior parte do tempo lendo e assinando acordos – um trabalho que o esgotava mais que caçar na Floresta Xamã, como costumava fazer vez ou outra.
            – Ah, foi… interessante – respondeu Endrich a Nestor, lembrando-se dos pensamentos que o acometeram após enfrentar os bandidos. Contou rapidamente como fora a volta, sua luta.
            Passando por um imenso corredor, ele e o secretário saíram em uma área aberta, o Pátio Interno, iluminada pela lua e por tochas que lançavam uma luz bruxuleante. Seguindo mais a frente, eles entraram em outro corredor do castelo, e, subindo uma escadaria, chegaram a Sala do Imperador, no terceiro andar da torre nordeste. A sala era bem organizada e possuía um cheiro agradável de flores e madeira – culpa de sua filha. A mesa principal ficava nos fundos da sala, com uma enorme janela atrás por onde entraria luz solar se fosse mais cedo. No canto direito, em relação à mesa, havia uma estante de madeira lustrosa entalhada com motivos religiosos, onde se podia identificar um anjo e o que seria raios de luz surgindo de trás da entidade.
            – Endrich! Fique à vontade – convidou Crystan. Ele estava sentado em um pequeno trono com estofado avermelhado, de madeira lustrosa com traços e desenhos em fios de ouro. – Nestor, obrigado. Por favor, deixe-nos a sós.
            – Com licença, majestade. – Fazendo uma mesura, dirigiu-se para a porta e a fechou ao sair.
            – Sente-se, Endrich. – O Imperador indicou uma cadeira também estofada em vermelho.
            O Mensageiro deixou-se cair lentamente no estofado. Suspirou silenciosamente ao poder dar um descanso às pernas.
            – Conseguis-te falar com o Rei Jacob? – indagou Crystan.
            – Sim, senhor. Ele lhe mandou felicidades – respondeu Endrich.
            – Obrigado. Mas então, o que ele resolveu?
            – O Rei leu e releu a carta, e aceitou o pedido.
            – Oh, que bom! – o Imperador parecia contente e ao mesmo tempo misterioso com a notícia. – E quando ele virá?
            – Ele falou que ao amanhecer de amanhã, sairá de Ágata para cá. Ah, disse também que, se for necessário, ele e seus guardas passarão a noite aqui.
            Asriel fez uma careta engraçada, mas Endrich segurou a vontade de rir.
            – Tudo bem. Temos quartos sobrando – comentou o Imperador, recostando-se em seu trono.
            – Senhor, desculpe-me a intromissão, mas essa visita me parecerá muito importante, não? – indagou Endrich.
            Asriel se ajeitou em sua cadeira.
            – Não é bonito fazer esse tipo de pergunta – disse ele, deixando o Mensageiro um pouco encabulado. – Mas irei lhe dizer do que se trata.
            O imperador Asriel Crystan informou Endrich de que o Rei estaria vindo para tratar de negócios e política. O trato era Jacob dar uma grande quantidade de aço-escarlate e aço-minério[1], em troca de um pequeno pacote de diamantes e alguns animais da cavalaria especial.
            – Bem, é isso – disse Asriel, ao terminar de contar a Endrich. Este, entretanto, achava que tinha algo mais nesse encontro. Resolveu não indagar sobre. – Hoje não irei mais precisar de seus serviços. Pode se retirar – sorriu. – Obrigado.
            Endrich fez uma leve mesura e saiu da sala silenciosamente. Voltaria para casa onde tentaria descansar. Mas no fim, sua noite não foi calma como gostaria que fosse.





[1] Metal pouco precioso, mas de grande durabilidade e resistência, como o aço-escarlate. É encontrado principalmente nas zonas oeste e central. Com sua coloração escura, é principalmente usado para modelar armas e panelas.

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O autor

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Formado em Comunicação Institucional, escritor nas horas vagas e viciado em café, Elton Moraes é viajante dos mundos de faz de conta e criador do Edenverso - o universo compartilhado em seus livros.

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