Olá, pessoal! Hoje não tem poesia, mas tem uma crônica que escrevi no fim de semana. Espero que curtam, e não esqueçam de curtir, comentar ...

ELE NÃO MORREU...

Olá, pessoal! Hoje não tem poesia, mas tem uma crônica que escrevi no fim de semana. Espero que curtam, e não esqueçam de curtir, comentar e compartilhar! ;)

Ele não morreu...



Ele não queria desistir. Não estava em seus planos. Fez escolhas que achou serem certas. Buscou encontrar um sentido em tudo a sua volta, principalmente na vida. Mas não sabia ao certo se a achou. Por um momento, pensou que a resposta estava na sua cara: viver e deixar ser vivido, sem olhar para trás, guiando-se pelas escolhas e as consequências que viriam, fossem elas boas ou ruins. Entretanto, a impressão que tinha era que tudo o que fazia o encaminhava para o lado mais sombrio de viver. Estava cansado, frustrado principalmente, de nada dar certo, de tudo o que era bom num ínfimo tempo escoar entre seus dedos como areia do deserto.
Ah, sim, ele se sentia no deserto. Mais que isso, sentia-se a própria terra árida, seca, amarela e sem graça, queimando a cada amanhecer, congelando a cada anoitecer. Nada seguia uma linha reta, nada seguia uma mesma rota, uma mesma estrada, tudo ia de encontro a postes, desviava-se das estradas, capotava ou se perdia em um desfiladeiro qualquer. Estava aturdido, minguando, enlouquecendo, desacreditando, morrendo, e sequer conseguia mudar seu destino tão obscuro. O fim precisava ser tão drástico? Ele acreditava que não, entretanto, o que podia ter feito, fez. Se a vida queria torturá-lo mais, nada poderia fazer contra.
Ele tentou, talvez não o que era esperando de alguém que fora posto em um pedestal a vida toda, o que ele odiava. Mas quem sabe a vida não via dessa forma, talvez ela achasse que ele deveria mostrar mais e mais potencial, ainda mais para as coisas que ele não conseguia alcançar. Contudo, depois de tanto tentar, ele desistiu. Se nada do que fazia resolvia, não haveria mais motivos para continuar andando, batendo em postes, caindo sem paraquedas. As pessoas a sua volta foram um fator potencial que o fez desistir. Elas não mereciam mais o pouco que ele tinha para oferecer, entendia isso. Se elas quisessem ajudá-lo a transformar aquele ser negro e desgrenhado dentro dele, que se entrelaçava cada dia mais em sua alma, teriam que cavar um buraco gigantesco na tentativa de obter algum fio de luz, caso não arrebentasse no processo.
Ele não morreu de fato, mas sentia-se morto, desolado, abandonado. Nenhum anjo ou ser de luz ou o que quer que fosse bom e puro parecia disponível para ajudá-lo a retomar seu brio e seu potencial. Nada o motivava, nada, nada... Nada era a única coisa que o preenchia além do monstro. O seu tudo resolveu passear entre outros seres e o abandonou de vez.
Ele não morreu de fato, mas era o que gostaria naquele momento. Porém havia um motivo, pequenino e facilmente destruível, que o impedia de ele mesmo dar fim a dor: tinha esperança de que ao menos uma de suas escolhas o guiasse para um novo caminho, para uma surpresa. Um desejo fraco e quase mítico, mas era o que mantinha seus cacos próximos uns aos outros. Não estavam colados, mas por hora ele conseguia se satisfazer com aquilo.

Elton Moraes (21, junho, 2015)

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