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Riscou o isqueiro. A chama dançante era um convite irrecusável para uma dança entre a vida e a morte. Aproximou-o do cigarro entre os lábios. Deu a primeira tragada e a nicotina lhe deu o efeito desejado: paz. Uma paz contada, cronometrada dentro do tempo necessário até aquele cilindro de papel e mato se tornar nada além de cinzas.
Seus olhos desviaram para o além. Não havia motivos para se identificar como ele ou ela. Era uma pessoa comum, alguém que sentia necessidade de se livrar de fardos que seus ombros já não suportavam mais carregar.
Foi como encontrou certo conforto: apodrecendo-se de dentro para fora.
Mórbido? Com certeza! Mas a perspectiva de canalizar suas angústias e temores e baforá-las como nuvens de fumaça era o que tinha de melhor a fazer.
Compensação era a palavra de ordem. Julgava-se por isso, mas não se odiava mais. Na verdade, talvez, nunca tenha chegado a se odiar pelo vício.
A raiva era algo intrínseco a sua vida de forma diferente. O tabaco era apenas uma forma de minimizar seus sentimentos autodestrutivos.
“Que forma imbecil”, você deve estar pensando.
Não era possível negar.
Seus olhos corriam de um lado a outro, a mente estava vazia, como raras as vezes. Nenhum pensamento ruim, nenhuma dor se sobrepondo, nenhuma ira, nenhuma culpa. Tudo era apagado, ou melhor, queimado pela brasa e cuspido aos céus.
Os erros cometidos, as dores sofridas, as culpas rasgantes, a ideia de ser o perfeito. Tudo se transformava em cinzas. Sobravam apenas resquícios em seu pulmão. Sobras essas que, apesar de lhe carbonizarem, também eram ligeiramente esquecidas.
Talvez, apenas talvez, não houvesse mais motivos para compensar sua ruína. Mas, no fundo sabia, precisava compensar pelo que viria, e, depois, compensar pela culpa da compensação.
Ao fim de mais uma terapia que nenhum psicólogo aprovaria, jogou a bituca na rua e voltou para dentro de casa.
O cheiro e o gosto amargo era a única lembrança de uma compensação.


Foto: Feriasnow.com.br

Eu sou você. Pode parecer estranho, mas aceite o fato.
Costumam nos dizer essa frase (ali do título) quando dizemos algo que nos engrandece, algo que nos torna melhor do que realmente somos, não é mesmo? Mas, vem cá, quem realmente somos na fila do pão? Somos aquele carinha que fica simplesmente olhando as vitrines desejando se deliciar nos doces e guloseimas que chamam tanto nossa atenção? Ou somos aquela menininha que está puxando a saia da mãe e pedindo bolo de chocolate? Ah, será que somos a senhorinha no caixa contanto as moedas para pagar seus dois pãezinhos?
Independentemente de quem sejamos, estamos aqui, não é mesmo, pensando no que se foi, no que veio, no que não teremos, nos sonhos perdidos — alguns esquecidos —, nas vontades e desejos que consumamos ou que deixamos de consumar. Somos aqueles serezinhos sem escrúpulos, certo? Certo! Mas também somos aqueles ali — ali, sentadinhos na mesa, esperando a mãe e o pai voltarem com um pedaço de torta de limão que acabaram de pedir no balcão —, inocentes.
Olhamos em volta, analisando o lugar, buscando alguma rachadura, uma tintura descascada, uma parede mofada. Ah, sim, é exatamente aquela garota ali atrás, mascando chicletes, atenta a tudo. Eu sou ela e você também. Nós somos ela, da mesma forma que somos o acadêmico de arquitetura que chegou e está no final da fila. Ele tem uma bela história, inclusive. Vive com os pais, faz estágio em uma grande empreiteira, namora um moço bonito e estudante de cinema — e os pais mais que aprovam, até conhecem a família do tal moço. Ambos se relacionam bem e hoje é aniversário do namorado do futuro arquiteto, e o que este faz aqui num momento deste? Bem, veio buscar o bolo que encomendou para uma surpresa muito fofa.
E enquanto estamos aqui, sendo todos eles, a senhora conseguiu terminar de contar as moedas e já está dando seus lentos passos para fora, rumo a sua casinha de madeira no fim da rua. É humilde, verdade, mas ela ama de paixão, principalmente quando seus netos lhe visitam e trazem uma alegria que só conhece em momentos como esse.
A garotinha, que puxava a saia da mãe, finalmente ganha seu tão desejado bolo. E nós amamos, não é mesmo? Estamos loucos para chegar em casa e nos deliciarmos. Ah, e tem o carinha que desejava as guloseimas, mas que, sem dinheiro suficiente, leva apenas três pães francês que serão sua janta hoje. Pobre rapaz, está passando por uma fase difícil, desempregado, sem os pais por perto e ainda por cima precisa pagar o aluguel na próxima semana. Nós não queremos nos prostituir, mas a ideia não nos escapa da mente. É uma ideia plausível, e lugar nós já temos.
Os dois inocentes, os meninos que esperavam os pais, ah, eles estão felizes, afinal, a tal esperada torta de limão chegou! O sabor é maravilhoso, claro, e podemos senti-lo explodir em nossas línguas, ao mesmo tempo em que estamos aqui, estacados, olhando para o teto, para as prateleiras e para as atendentes, algumas carrancudas, cansadas, outras sorridentes e atenciosas — talvez seja hábito, quem sabe apenas uma máscara que cairá quando chegarem em casa. A vida é uma máscara… não, espere, a vida é um teatro, e nós é que usamos máscaras cotidianamente, certo? Certo. E isso é bom ou ruim? Deveria haver dúvidas nisso?
Eu sou você e você sou eu e, na fila do pão, somos qualquer um, cheios de dúvidas, escolhas, pensamentos conflitantes ou não. Somos os alegres e os tristes, somos aqueles que buscam algum tipo de redenção ou que simplesmente não têm pelo que se salvar. Somos eu e você, você e eu. E na fila do pão, somos todos que possuem uma história a contar.

Existe uma gama de coisas que deixamos para trás. Eu, por exemplo, quase deixei de escrever esse texto que vocês estão lendo. Não porque eu queria, mas porque não sabia por onde começar. Muitas vezes não sabemos como começar ou prosseguir com alguma coisa, e acabamos por deixá-la para trás. É como o slogan de Entre Escolhas e Consequências: “a vida é feita de sacrifícios”, e muitas vezes sacrificamos coisas, sonhos, desejos.
E a vida.
Quando digo que sacrificamos a vida, não me refiro a um ritual de magia negra — se bem que, né, vai saber —, mas sim sobre os diversos caminhos que se revelam à nossa frente, bifurcações essas que nos forçam a escolher um lado. Por vezes, esse lado escolhido, não era o desejado, e o que você decidiu dar uma chance pode se mostrar algo que, lentamente, vai matando você de dentro para fora.
Só que não existe fórmula para descobrir o que é realmente favorável ou não, porém, ao colocar nossas escolhas em uma balança, é possível ter uma ideia do que pode acontecer. Ou ao menos imaginar. Nem tudo é certo — eu diria que nada é —, e é isso que nos força a, de vez em quando, atirar uma flecha no alvo errado. Você pensa que algo poderá ser ruim, mas ainda assim dá uma chance, torcendo para que esteja errado, por ter alguém que você ama envolvido. Porém, do outro lado da balança, há outro alguém que você ama, mas que te traz a ideia de incerteza para o futuro, afinal, relações começam, se desenrolam e acabam um dia. O problema é quando não estamos falando apenas disso, mas, principalmente, de sua sanidade.
Sanidade, o que é você, meu bem?
Como qualquer pessoa, eu fiz escolhas que me definiram, me transformaram e me destruíram (eu juro que ainda não li Divergente). A vida é um eterno ciclo e tudo que fazemos moldam nosso futuro, ajudam a moldar outras vidas e a estruturar o destino. Somos um punhado de coisas e energias que criam o tudo à nossa volta. Quando escolhemos uma alternativa, não mudamos apenas nossas vidas, mas a de todos que nos cercam. Vidas são constantemente influenciadas e quando deixamos algumas para trás elas tendem a nos deixar também.
Eu deixei uma vida inteira de possibilidades — e muitas vezes me arrependo —, mas é aquela: há males que vêm para bem (ainda esperando por isso). Uma coisa é certa, no fim, relações familiares que eram mínimas, por exemplo, estão sendo lentamente reconstruídas e seladas por algo que pouco tive dessa parte de minha vida: compreensão e amor. E, não posso me negar a dizer isso, estou adorando esse “upgrade”, porque o que antes era quebrado, hoje está sendo restaurado. Ainda há fissuras, sim, nada é perfeito, mas o que alcancei no momento, é muito mais do que tive por muito tempo.
Pensar no que deixamos para trás, nem sempre é uma boa coisa, a gente pode se lamuriar e corroer pelos “e se”, pelo que perdemos, pelo que foi queimado e transformado em cinzas. Entretanto, olhar para o que ficou para trás, também pode servir como algo revigorante, afinal, quantas coisas você aprendeu? Quantas vidas conheceu? Quantos pulos você deu em direção do desconhecido? Quantas vezes se desafiou? Quantas vezes sonhou?

Afinal, você aprendeu com o que ficou para trás?
Você já parou para pensar que personagens também possuem sentimentos?
Você já parou para pensar que personagens são criados, em sua maioria, para ter alguma empatia com uma pessoa real, neste caso o leitor?
Você já parou para pensar que, sim, esse personagem em questão pode ter problemas? Afinal, eles são reflexos da realidade, não?
Agora, você já parou para pensar que esses problemas podem ser os mais diversos, incluindo a baixa autoestima, a tristeza, a depressão?

Há algum tempo uma imagem vem circulando pela internet, principalmente em grupos de leitura, que, sinceramente, me incomoda. Não porque ela é vulgar. Simplesmente porque ela traz uma questão que nem todos compreendem: a dor e o sofrimento de quem não se aceita, de quem não se vê com bons olhos. Na imagem há uma garota ruiva de olhos e pele claros, bonita, com uma legenda do tipo: “’Eu não gosto de mim, eu sou feia’. Aí a personagem tem essa aparência”. A questão é: quantas pessoas que são bonitas, dignas de passarela, não se veem com olhos turvados, com uma sombra que os impede de realmente se verem como são?
Eu posso dizer isso — não que eu seja bonitão (minha mãe diria que sou um bom partido), mas o caso é: por minha enorme baixa autoestima, já me senti o pior ser do mundo, já me senti incapaz de fazer coisas que anteriormente tinha tirado de letra. Sem mencionar a depressão — que vai e volta em um loop infinito, como uma montanha-russa — que me traga toda a vontade, toda a cor da vida e me impede de fazer as coisas pelas quais, normalmente, batalho para conquistar. Então quando um personagem se acha feio, se acha incapaz, eu o entendo, porque a questão não é a aparência, ela é apenas a superfície. O que ele/ela sente vai muito além, é profundo, intrínseco no ser humano que só pode ser resolvido com uma boa dose de força de vontade e, muitas vezes, com uma ajudinha extra, que pode surgir dos lugares mais inesperados.
Além do mais, características digitadas em papel ou tela nem sempre são suficientes para determinar o que é bonito ou não. O personagem pode ser um ruivo de olhos azuis brilhantes, alto e com barba bem desenhada, mas não significa que ele é um deus grego; da mesma forma que um “simples” personagem de cabelos desgrenhados e olhos escuros e maltrapilho pode ser a pessoa mais linda da história. Isso dependerá da forma como você, leitor, interpretará a narrativa, de como deseja vê-la em sua mente. Isso é uma questão singular.
Então, se você é uma pessoa de autoestima alta, com o astral nas nuvens, e acabar numa história em que aparentemente uma personagem é linda, porém se acha feia, incapaz, idiota, sozinha em meio a uma multidão, tente enxergar pelo ponto de vista dela. O que ela passou para se sentir desse jeito? Quais são as emoções que possui naquele instante? Afinal, como já mencionado, um personagem tem por uma das principais características criar empatia com o leitor, e, talvez, ler sobre esse tipo de personagem é o que falta para você acreditar que a tristeza é algo que pode afetar todo e qualquer um em diferentes lugares, em diferentes regiões, em diferentes épocas. Esse feeling não é baboseira.
E eu espero, de coração, que mais personagens assim apareçam; não para espalhar dor pelos quatro ventos, mas, principalmente, para mostrar às pessoas que passam por problemas parecidos que continuar lutando, sobrevivendo ao dia a dia, pode trazer alguma recompensa. Afinal, estamos aqui para divar, e ter uma vida sem marcar o mundo com o seu melhor não pode ser considerada uma vida de verdade. Todos temos uma singularidade para deixar registrada no Universo.
Se você tem algum dos problemas citados acima, saiba que você não é o único. Procure alguém de confiança para desabafar ou um profissional; acredite, isso não lhe taxará de louco e pode ser essencial para lhe dar um up — por exemplo, eu passei por uma psicóloga que me fez enfrentar meus medos, traumas e ver o mundo com novos olhos. Apenas não se deixe abater e busque viver intensamente.
Você pode ser tudo aquilo que desejar.

Ele parou o movimento rítmico de escrever e olhou para o Além Inspiratório. Se é que havia um. Não questionaria isso, afinal, muitas vezes encontrara o que escrever apenas olhando para o nada.
Enfim. Sobre o que estava escrevendo? Sobre a vida. Ou uma das várias vertentes que a formavam. Às vezes era estranho, porque sabia que sua vida não era das melhores, entretanto, gostava de certas coisas que aconteciam em seu cotidiano. Mas não estava a fim de pensar sobre isso agora. Precisava concluir seu texto, que dizia sobre o tempo, sobre escolhas…

Já parou para pensar que muitas e muitas vezes dizemos que não temos tempo para determinadas coisas ou pessoas? Isso, porém, nem sempre é verdade. Então por que mentir? Veja, há tantas pessoas que encontram formas e meios de fazerem aquilo que querem em seu conturbados cotidianos, mas por que não nós?
Seria medo? Medo de não conseguirmos nos readaptar a realidade opressora do dia a dia? Medo de, caso a situação seja divina, não queremos mais sair daquele mundo paralelo ao nosso? Um mundo, talvez, de faz de contas? Seria medo de gostar da sensação mínima de liberdade a qual poderemos ser expostos? Ou o simples medo de talvez odiarmos aquilo que nos é proposto?

Ele releu. E releu. Sabia que, ao escrever aquilo, estava sendo hipócrita. Afinal, não se permitia ultrapassar as barreiras que construiu em volta do que podia ser chamada de vida. Ou seria subvida? Ele fazia isso por medo ou simplesmente por achar o mundo a sua volta um saco? Não sabia, mas talvez fosse a resposta certa. Ele não era um jovem normal, não fazia coisas normais que gente de sua idade fazia. Não curtia sair, badalar, festejar. Quando ia, era pelo simples fato de poder se embriagar e esquecer dos problemas que o envolviam. Mesmo que por ilusórias horas.
Definitivamente, ele criara uma redoma difícil de se quebrar. Estava tão enfiado dentro dela que tinha medo de sair dela, com quem quer que fosse, para desbravar o desconhecido, aproveitar o lado bom da vida que mal conhecia. Mas não importava. Não naquele momento. Se algum dia houve sentindo em suas escolhas, então ele ficaria bem. Senão, também não importava.
Suspirou, erguendo-se da poltrona e pegou seu suéter num gancho fixo à parede. Vestiu e saiu. O ar gélido da manhã tocou seu rosto. Ele odiava o frio, contudo, pela primeira vez não se incomodou em enfrentá-lo. O que faria? Talvez fosse até um bar, encheria a cara e se jogasse na frente de um caminhão. Não sabia. Não queria saber.
Pela primeira vez, deixaria a vida lhe surpreender. Respirou com força e deu um passo após o outro. Pela primeira vez, permitiu que o tempo lhe desse tempo.
Olá, pessoal! Hoje não tem poesia, mas tem uma crônica que escrevi no fim de semana. Espero que curtam, e não esqueçam de curtir, comentar e compartilhar! ;)

Ele não morreu...



Ele não queria desistir. Não estava em seus planos. Fez escolhas que achou serem certas. Buscou encontrar um sentido em tudo a sua volta, principalmente na vida. Mas não sabia ao certo se a achou. Por um momento, pensou que a resposta estava na sua cara: viver e deixar ser vivido, sem olhar para trás, guiando-se pelas escolhas e as consequências que viriam, fossem elas boas ou ruins. Entretanto, a impressão que tinha era que tudo o que fazia o encaminhava para o lado mais sombrio de viver. Estava cansado, frustrado principalmente, de nada dar certo, de tudo o que era bom num ínfimo tempo escoar entre seus dedos como areia do deserto.
Ah, sim, ele se sentia no deserto. Mais que isso, sentia-se a própria terra árida, seca, amarela e sem graça, queimando a cada amanhecer, congelando a cada anoitecer. Nada seguia uma linha reta, nada seguia uma mesma rota, uma mesma estrada, tudo ia de encontro a postes, desviava-se das estradas, capotava ou se perdia em um desfiladeiro qualquer. Estava aturdido, minguando, enlouquecendo, desacreditando, morrendo, e sequer conseguia mudar seu destino tão obscuro. O fim precisava ser tão drástico? Ele acreditava que não, entretanto, o que podia ter feito, fez. Se a vida queria torturá-lo mais, nada poderia fazer contra.
Ele tentou, talvez não o que era esperando de alguém que fora posto em um pedestal a vida toda, o que ele odiava. Mas quem sabe a vida não via dessa forma, talvez ela achasse que ele deveria mostrar mais e mais potencial, ainda mais para as coisas que ele não conseguia alcançar. Contudo, depois de tanto tentar, ele desistiu. Se nada do que fazia resolvia, não haveria mais motivos para continuar andando, batendo em postes, caindo sem paraquedas. As pessoas a sua volta foram um fator potencial que o fez desistir. Elas não mereciam mais o pouco que ele tinha para oferecer, entendia isso. Se elas quisessem ajudá-lo a transformar aquele ser negro e desgrenhado dentro dele, que se entrelaçava cada dia mais em sua alma, teriam que cavar um buraco gigantesco na tentativa de obter algum fio de luz, caso não arrebentasse no processo.
Ele não morreu de fato, mas sentia-se morto, desolado, abandonado. Nenhum anjo ou ser de luz ou o que quer que fosse bom e puro parecia disponível para ajudá-lo a retomar seu brio e seu potencial. Nada o motivava, nada, nada... Nada era a única coisa que o preenchia além do monstro. O seu tudo resolveu passear entre outros seres e o abandonou de vez.
Ele não morreu de fato, mas era o que gostaria naquele momento. Porém havia um motivo, pequenino e facilmente destruível, que o impedia de ele mesmo dar fim a dor: tinha esperança de que ao menos uma de suas escolhas o guiasse para um novo caminho, para uma surpresa. Um desejo fraco e quase mítico, mas era o que mantinha seus cacos próximos uns aos outros. Não estavam colados, mas por hora ele conseguia se satisfazer com aquilo.

Elton Moraes (21, junho, 2015)